
A indústria de veículos elétricos está avançando a passos largos, e grande parte desse progresso depende das baterias. Nas últimas semanas, três desenvolvimentos importantes destacaram melhorias concretas: um sistema de refrigeração fabricado na Espanha, um novo material polimérico que prolonga a vida útil das células e uma patente chinesa que aproxima a tecnologia de estado sólido da realidade. Essas inovações abordam problemas diferentes, porém complementares.Desde a gestão térmica até à durabilidade e densidade energética.
Embora a fábrica da Mahle em Tarragona já esteja produzindo em massa placas que mantêm a temperatura sob controle, laboratórios na Coreia do Sul e na China estão apresentando soluções químicas e estruturais que prometem baterias mais eficientes. O denominador comum é a busca por maior autonomia e uma vida mais longa.Esses dois fatores continuam sendo os principais obstáculos à adoção em massa de carros elétricos.
A Mahle inicia a produção de placas de refrigeração em Montblanc.
A fábrica da Mahle em Montblanc (Tarragona) iniciou a produção em massa de um componente essencial: uma placa de resfriamento para baterias de veículos elétricos. O investimento de várias dezenas de milhões de euros Isso possibilitou a modernização das instalações e o alcance de uma capacidade de 15.000 unidades por semana. A força de trabalho, composta por 750 funcionários, registrou um aumento no emprego qualificado na região.
Essas placas mantêm a temperatura da bateria abaixo de 40°C e garantem uma distribuição uniforme de calor entre as células. O controle térmico preciso é essencial para o carregamento rápido e a longevidade das baterias de íon-lítio.Como o superaquecimento acelera a degradação, o processo de fabricação é altamente automatizado, com intervenção manual mínima, para atender aos exigentes requisitos de resistência à corrosão e limpeza da superfície. Roger Gombau, gerente da fábrica, enfatizou que este projeto demonstra a capacidade industrial da Mahle no campo da eletromobilidade.
Um polímero híbrido duplica a vida útil das baterias.
Uma equipe da Universidade Sungkyunkwan e da Universidade Nacional de Seul desenvolveu um novo aglutinante polimérico que permite a fabricação de eletrodos mais espessos sem perda de desempenho. O material, chamado DHP, combina elastano e ácido poliacrílico., dois polímeros com propriedades complementares: o primeiro proporciona elasticidade e o segundo uma forte interação com os componentes do eletrodo.
Em baterias convencionais, o aglutinante de fluoreto de polivinilideno (PVDF) tende a migrar para a superfície durante a secagem quando o eletrodo é espesso, causando rachaduras e descamação. O novo polímero evita esse problema e duplica a força de adesão.Mantendo a integridade estrutural mesmo em eletrodos espessos, as células DHP retiveram 86,8% de sua capacidade inicial após 200 ciclos de carga e descarga em testes, enquanto as células convencionais pararam de funcionar após aproximadamente 95 ciclos. Além disso, a tecnologia pode ser integrada às linhas de produção existentes sem a necessidade de novos equipamentos, facilitando sua adoção industrial. Os pesquisadores, liderados por Ki-Jae Kim e Jang Wook Choi, acreditam que esse avanço pode aumentar significativamente a autonomia dos veículos elétricos.
A BYD patenteia um cátodo composto para baterias de estado sólido.
A fabricante chinesa BYD registrou uma patente (CN122474592A) que aborda um dos maiores desafios das baterias de estado sólido: manter o contato íntimo entre os componentes sólidos à medida que a célula se expande e se contrai. A solução consiste em um cátodo composto que mistura dois tipos de eletrólitos sólidos.Partículas pequenas de haleto e partículas maiores de sulfeto. Quando combinadas, as partículas menores preenchem lacunas microscópicas, otimizando a transferência de íons e reduzindo o estresse mecânico.
O cientista-chefe da BYD, Lian Yubo, destacou que a estabilidade da interface sólido-sólido é o principal obstáculo à industrialização dessa tecnologia. A empresa espera receber seu primeiro lote de baterias de estado sólido no próximo ano.No entanto, a adoção em massa não é esperada antes da próxima década. Em laboratório, o uso de partículas de sulfeto menores melhorou a retenção de capacidade em quase 18%. A BYD detém diversas patentes nessa área, incluindo uma membrana de eletrólito sólido com fibras de polímero e um revestimento catódico de dupla camada. Apesar desse progresso, a indústria concorda que ainda existem desafios de fabricação antes que essas baterias sejam utilizadas em carros de produção.
Os três desenvolvimentos refletem uma tendência clara: a pesquisa sobre baterias para veículos elétricos está avançando em múltiplas frentes, desde o resfriamento até a química dos materiais. Enquanto isso, a Mahle reforça seu compromisso industrial na Espanha com uma fábrica de última geração.Laboratórios na Coreia e na China estão propondo soluções que podem dobrar a vida útil das baterias e abrir caminho para a tecnologia de estado sólido. A combinação dessas inovações, embora ainda em diferentes estágios de desenvolvimento, aponta para um futuro onde os carros elétricos serão mais autônomos, duráveis e seguros.


